OFICINA: Desenhar para além do olhar
E se pudéssemos desenhar a natureza sem a ver? Esta oficina propõe conhecer a natureza através de duas formas distintas de desenho, uma que parte do tato e outra que parte do olhar, e perceber como cada uma nos revela algo diferente sobre aquilo que nos rodeia.
Na primeira parte, desenhamos guiados por um sentido de cada vez. Um caminho é o tato: escolher um elemento da natureza, uma folha, uma casca, uma pedra, um caule, e desenhá-lo de olhos fechados, apenas pelo que as mãos sentem. Outro é o desenho cego: observar um plano da natureza, uma árvore, um recanto do percurso, e desenhá-lo sem tirar os olhos dele, sem espreitar o papel. Em ambos, o que conta
é largar o medo de errar e acordar a atenção.
Na segunda parte, entramos no desenho de observação, calmo e atento. Agora é o olhar que conduz: aprendemos a observar antes de traçar, a reparar na forma, na luz, na textura e nos pormenores que costumam passar despercebidos. Cada participante escolhe as suas ferramentas e pode misturá-las livremente, grafite, lápis de cor, pastel, carvão, marcadores ou canetas. Vamos ainda experimentar formas de trazer a própria natureza para dentro do desenho, deixando que folhas e cascas marquem no papel as suas texturas.
Duas maneiras de estar diante da natureza, o sentir e o ver, que juntas ensinam mais do que qualquer uma sozinha. Não é preciso saber desenhar. O que se leva no fim é uma forma nova de prestar atenção ao mundo à nossa volta.
MATERIAIS PARA OS PARTICIPANTES TRAZEREM
Rafael Oliveira nasceu em Guimarães em 1996, cidade onde reside e trabalha. É licenciado em Artes Plásticas, na vertente da pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. A sua obra integrou inúmeras mostras e concursos, com destaque para a participação na Bienal de Arquitetura de Veneza, em 2023, e para a exposição individual “A Dream For Us To Dream”, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em 2024, tendo sido distinguido em vários prémios e bienais nacionais e internacionais.
Embora a sua formação assente sobretudo na tradição académica, a sua obra revela uma fusão entre o academicismo e o panorama artístico contemporâneo, marcada pela procura de estruturas compositivas coesas, de uma conjugação cromática harmoniosa e do gesto como força ditadora.
Paralelamente à sua prática, é fundador do Atelier Mater, em Guimarães, um espaço multidisciplinar dedicado à educação artística